Thursday, November 12, 2009

A Fibra do Brazilian Jazz


Depois de trabalhos com nomes expressivos da música brasileira e internacional, de Luciana Mello a Toninho Horta, passando por Shakira e Ricky Martin, de um álbum solo, da paternidade, de um prêmio bem expressivo no Brasil, de uma música lançada na Europa e de tocar num grande musical para Claudia Raia, Evandro Gracelli chega ao Canadá e já nos hipnotiza com suas cordas mágicas.

O artista de 42 anos, que nasceu em Vitória (ES), toca violão, guitarra, cavaquinho, canta e ainda dá umas pancadas em percussão. Conta que o país tem representado novos desafios para ele, que o tem colocado frente a frente com seu próprio trabalho. “Estou tocando com muita gente interessante”, revela animado.
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Evandro Gracelli veio para o Canadá por causa de sua esposa, Carmen Fullin, que está aqui estudando. Veio também a filha do casal, Cecília Gracelli, inspiração para um trabalho que o artista está produzindo sozinho em casa. “Trata-se de um disco em homenagem a ela, mas não é um disco infantil”, categoriza.

As dificuldades de viver de uma bolsa escolar, que nem é sua, têm levado o músico a vender gradativamente coisas no Brasil das quais não planejava se desfazer. “Eu quero voltar para lá, meu sonho é dar aula, montar um espaço onde os músicos podem se encontrar, tomar um café, trocar uma ideia e dar aula”, desabafa. Ele concorda com uma amiga técnica de futebol que disse que o futuro do Brasil está nas mãos dos brasileiros que vivem no exterior.

Lê Parangolé

“Antes de chegar, troquei e-mails com um velho amigo da Unicamp que é um grande trombonista, da pesada, e já morava aqui. Quando cheguei, eles tinham preparado um show para mim, para eu mostrar meu trabalho”, diz Evandro. Ele se refere a Talal, um brasileiro que mora em Montreal. Gracelli, Talal e Rômmel Ribeiro, uma das maiores expressões culturais do Brasil no Canadá, formaram o conjunto Le Parangolé.

O capixaba lembra da experiência com muita gratidão. “O que eles fizeram por mim foi fantástico. Cheguei num dia e no outro já estava tocando”, comenta. “Eu demorei a perceber que o show era para mim. Depois, senti o peso da minha responsabilidade”, revela ainda o músico. “Mas foi ótimo, no final eram nove brasileiros juntos no palco”, complementa.

Us & Them Trio

Outros projetos deixam Evandro Gracelli igualmente animado, como o trio que toca Pink Floyd, jazz e bossa nova. “Somos eu e dois canadenses muito bons. Um deles é músico profissional, o baterista Matt. Não sei ainda os sobrenomes, mas o baixista chama-se John”, informa o músico.

Evandro conta que Matt foi direto ao ponto logo no primeiro encontro, o que ele achou muito bom. “Você vai ter de cantar de maneira que a gente entenda”, avisou Matt fazendo questão que os idiomas das músicas sejam o inglês ou o francês. Aliás, Gracelli está estudando francês com um amigo a quem está ensinando português.

Duo Esse Que Nem Outro

Um cavaquinho e um violão de oito cordas são as bases da dupla que Evandro Gracelli montou com outro brasileiro, Vinícius Degenaro, um carioca radicado no Canadá. “Tocamos chorinhos e músicas instrumentais”, informa.

Ao descrever as músicas do Duo, o músico parece descrever algumas das canções presentes em sua página no MySpace. O som parece ter o tempero do que Evandro entende por Brazilian Jazz. “É uma expressão dos gringos para chamar em música tudo o que é sofisticado. É isso, Jazz é a criação instantânea”, categoriza outra vez.

Roda de Samba

Evandro Gracelli foi convidado para tocar junto de um dos grupos mais bem sucedidos do cenário musical brasileiro no Canadá. “Lá eu sou um agregado”, diz o músico bastante animado com o show de aniversário que está por vir. Os ensaios já estão comendo solto.

O grupo completará dois anos este mês e já tem uma celebração marcada para o dia 20 de novembro no Le Petit Chicago, em Hull (QC). O CC e Fernando Acosta estão tentando encontrar um horário para fazer uma reportagem especial para comemorar a data.
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Tropicantos

O último show de Evandro Gracelli no Canadá foi com este grupo. O Tropicantos é uma convergência de vários latinos que fazem um colorido festival de músicas das Américas. Conta com Florquestra Brasil, Carlos Morgado, Willy Terrones Gamarra, Tito Medina, Salomon Carrillo e Fernando Acosta, este último também conhecido como Nando Velho do Rebolo.

“A Regina Teixeira foi quem abriu as portas para mim por lá e o pessoal é todo muito bom”, diz Evandro em tom de agradecimento. O grupo se define como uma confluência de Bossa Nova, Fusão Andino-Flamenca, samba, jazz e Folclore-Funk acústico. Ou quase isso. “O primeiro show foi ótimo e vai haver outro”, anima-se o artista.

O Futuro

“Um dia ao voltar para o Brasil, quero dar aula lá, tocar, compor e produzir muita música. Quero abrir o meu espaço”, Evandro diz apresentando seus projetos pessoais. Mesmo as dificuldades de um meio acadêmico hermético e de um país que navega em dificuldades sociais não desanimam o artista. E a alma de um artista transborda seu próprio corpo, em criatividade e luz. Evandro não foge à regra.

As coisas aqui também não são tão fáceis como podem parecer. Evandro tenta dar aulas e tem passado pelas mesmas dificuldades que um músico comum vive no Brasil. “Já tomei até chá de cadeira por aqui. O sujeito com quem eu ia falar mandou a secretária dizer que ele estava almoçando, e depois que ele viajou”, lamenta. O talentoso brasileiro entendeu logo, as portas dos canadenses não se abrem como nos sonhos.

Evandro Gracelli tem outro trabalho em vias de ser lançado no Brasil. Gravou em julho com Álvaro Fernando, promotor musical de São Paulo indicado ao Grammy Latino de 2009, um CD da série MPB Baby, da gravadora MCD. "É uma produção dele, gravada com dois violões folk, ou seja, de aço. Eu chamo de Pink Floyd for Kids", afirma brincando.

Clique aqui para ver Evandro Gracelli no YouTube e clique aqui para vê-lo no MySpace. Aqui você pode clicar para ver mais uma música do artista.
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